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Published on folha.uol.com.br l 03/01/2017 I Direct link

By Paulo Migliacco

Tradicionalmente, os quartos alugados por hora eram característica de estabelecimentos vulgares ou de "hotéis [motéis] do amor", do Japão à Argentina. Agora, na França, cadeias de hotéis de luxo aderiramao modelo do aluguel de quartos por hora. Cadeias de hotéis como a Accor e a Marriott assinaram com uma start-up que opera um serviço de reservas on-line chamada Dayuse.com, e o

"Os hotéis vêm enfrentando dificuldades na França, mas lhes oferecemos uma nova fonte de receita", disse David Lebée, fundador e presidente-executivo da Dayuse. "Dez anos atrás, os hotéis nem sonhariam em fazer algo desse tipo, mas os tempos mudam."

A Dayuse, lançada em 2010, afirma que 70% dos quartos de hotel ficam vazios durante o dia e gerou mais de US$ 20 milhões em receitas para os hotéis que assinaram para o seu serviço. A Accor e a Marriott confirmaram ter assinado com a start-up, ainda que tenham se recusado a estender seus comentários. Maud Ruault, gerente do Les Plumes, hotel independente em Paris que assinou com a Dayuse, diz que o site propicia de 30 a 40 reservas mensais e que vem sendo "grande fonte de novos negócios" em "um momento difícil", em referência à queda no movimento dos hotéis causada por uma série de atentados terroristas na França.

"As pessoas não vêm ao hotel para dormir; elas querem uma experiência... muitos são casais que querem se divertir sem as crianças por perto", ela diz, acrescentando que os usuários tendem mais a ser cidadãos franceses do que turistas. No site, os usuários podem, por exemplo, alugar num quarto cuja diária costuma ser de 800 (R$ 2.700) no Marriott Opera Ambassador, um hotel de quatro estrelas no centro de Paris, por 99 (R$ 339), no período entre as 11h e as 16h.

CAIXA DO AMOR

Uma "caixa do amor" cheia de brinquedos eróticos custa 40 adicionais, e uma garrafa de champanhe custa 70.

A Accor, a maior operadora de hotéis da Europa, teve 4,7% de queda de faturamento no país no terceiro trimestre em razão do "clima de insegurança". Jean-Jacques Morin, vice-presidente financeiro da Accor, disse que o medo do terrorismo afetou "fortemente as viagens de lazer à França". O verão foi "catastrófico" para os hotéis da França, de acordo com a Deloitte. Houve queda no índice de ocupação, e a receita por quarto disponível –o indicador preferencial de vendas do setor– recuou 28% (hotéis médios) e 48% (hotéis de luxo) em agosto. Em setembro e outubro, a queda foi ainda maior.

Os operadores de hotéis franceses também estão sendo pressionados pelo Airbnb.

Lebée estima que o Airbnb e outros sites de locação causaram perda de faturamento média de 15% para o setor de hotelaria e que assinar para o Dayuse possa restaurar 10% dessa perda, ao criar uma nova fonte de receita.

Ele diz que há casais –"fiéis e infiéis"– que usam o serviço para "encontros discretos", mas que ele também é usado por executivos para conduzir entrevistas ou por viajantes que desejem relaxar antes de um voo noturno.

Jean-Bernard Falco, presidente da AhTop, uma organização setorial de hotéis, diz que alugar quartos durante o dia é apenas "uma solução" para os problemas do setor francês de hotelaria. A AhTop está tentando pressionar os legisladores a aprovar regras mais duraspara os sites de locação de acomodações como o Airbnb, para tornar mais

difícil que os anfitriões soneguem impostos e para forçá-los a pagar mais impostos sobre a renda auferida com as locações. O Dayuse tem 3.000 hotéis parceiros em 16 países e planeja expandir sua presença a 20 países até 2020. Em 2016, ela assinou também com a operadora de hotéis suíça Mövenpick.